19 abril 2010

Dor de barriga





A queixa, muito comum na infância, não deve deixar de ser investigada. Associada a inúmeras doenças, pode significar de um simples ataque de gases até problemas como hepatite e pneumonia.



Forte ou branda, permanente ou transitória, a dor de barriga é freqüente na infância e aparece associada a inúmeras doenças. Do ponto de vista médico, pode ser classificada em emergência clínica ou cirúrgica. O diagnóstico exige a avaliação de um pediatra ou gastropediatra. Selecionamos as dúvidas mais comuns nos consultórios, que agora são respondidas por grandes especialistas. Confira.
Quais as enfermidades que causam dor abdominal na criança?
Em geral é provocada por gases, inflamação de garganta, pneumonia, asma, bronquite, intoxicação e alergia alimentar, gastrite, úlcera, verminose, apendicite, cólica renal, pedra na vesícula biliar, traumatismos abdominais, infecções urinárias e intestinais (especialmente a salmonela), entre outras. "São mais de 100 doenças por trás da reclamação. Na criançada, as causas mais comuns estão relacionadas ao próprio aparelho digestivo - composto por boca, esôfago, estômago, fígado, vesícula biliar, pâncreas e intestinos delgado e grosso", diz o gastropediatra Mauro Batista de Morais, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O que esse incômodo na barriga significa em cada idade?
Muitas doenças se manifestam com regularidade nas diferentes faixas etárias: bebê, pré-escolar (até os cinco anos) e escolar (a partir dos cinco anos). É muito comum, por exemplo, o bebê sentir cólica no primeiro trimestre de vida. "Uma forma de identificá-la é ficar de olho nos períodos em que a criança chora. A cólica geralmente aparece no final da tarde, acompanhada de movimentos de flexão das perninhas. E isso não tem ligação com qualquer patologia. Acredita-se que os gases sejam os responsáveis por esse estado doloroso", explica o gastropediatra Mauro Batista de Morais. O que se deve fazer nesses casos é massagear o abdômen e colocar uma bolsa de água quente, com calor suportável, além de observar a melhora do bebê. Já em pré-escolares e escolares, os motivos mais freqüentes de dores abdominais são prisão de ventre ou intolerância à proteína do leite de vaca (tanto na sua forma líquida como em pó).
Como diferenciar um 'ataque de gases' de algo mais sério?
A identificação é difícil. Geralmente, os gases surgem em conseqüência do intestino preso ou da ingestão de alimentos fermentáveis, como o feijão, brócolis e milho, entre outros. Sua manifestação não é abrupta e não aparece com outros sintomas. O pediatra Marco Aurélio Sáfadi (SP), do Hospital São Luiz, afirma que quadros mais graves - como apendicite, amidalite e doenças respiratórias - têm início súbito e estão acompanhados de outros sinais. "Procure atendimento imediato sempre que a dor surgir combinada de desidratação, febre, diarréia, vômito e piora do estado geral da criança".
Quando se preocupar com a dor de barriga?
O cuidado deve existir sempre. É comum pais interpretarem essa dorzinha como dengo ou mimo, quando na verdade pode revelar algo mais sério. Há sinais que sugerem maior gravidade. "A criança deve ser avaliada por um médico quando a dor se manifesta ao simples toque no abdômen ou for seguida por perda de peso, alteração do apetite, interferência no sono ou nas atividades diárias, vômitos, febre, diarréia e palidez. Muitas vezes, são indícios de patologias cirúrgicas", alerta a pediatra Lana Maria Néri, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Então alguns casos acabam em cirurgia?
Sim. No bebê, a operação costuma ser indicada quando o diagnóstico é de invaginação intestinal, popularmente conhecida por 'nó nas tripas'. Trata-se da introdução de uma parte do intestino dentro dele mesmo. Os sintomas são dramáticos e repentinos: fortes dores abdominais, vômitos, palidez, transpiração, gritos e evacuação sanguinolenta. É mais freqüente entre os quatro e sete meses de idade, sobretudo em crianças vítimas de infecção intestinal causada por vírus ou bactéria. "O sinal da infecção intestinal é a diarréia. Na diarréia, o movimento que o intestino faz para empurrar as fezes adiante fica muito acelerado e, às vezes, essa alteração provoca o distúrbio", explica o cirurgião pediatra Jovelino Quintino de Souza Leão (SP), do Hospital São Luiz. Vale esclarecer que, de acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde, é caracterizado quadro de diarréia quando se tem três ou mais evacuações com fezes moles ou líquidas no prazo de 12 horas ou uma única evacuação de fezes moles ou líquidas contendo sangue, muco ou pus. Já em crianças maiores, a apendicite (inflamação do apêndice) também leva à cirurgia. "A dor começa com uma intensidade leve e mal localizada, geralmente na região do umbigo ou na parte superior. No período de 6 a 12 horas, evolui para o lado direito na parte de baixo do abdômen. Vem acompanhada de febre (não muito alta na fase inicial) e vômitos. Às vezes a criança não consegue evacuar e a perna direita repuxa", diz o cirurgião Jovelino Leão.
Dores abdominais surgem após exercícios?
Não. Especialistas afirmam que a atividade física não é uma causa comum de dor abdominal. Exceto nos casos de traumatismos abdominais, ou seja, a criança cai e machuca o abdômen. "Uma ruptura dos órgãos do abdômen exige intervenção cirúrgica. A dor é intensa e a criança tem vômitos", explica a gastropediatra Maraci Rodrigues (SP), do Hospital Albert Einstein.
Recursos como a bolsa de água quente, com calor suportável, e massagens no abdômen costumam amenizar o desconforto provocado por cólicas
Como é que asma, bronquite e pneumonia provocam dores nessa região?
A pneumonia é uma infecção no pulmão. Em volta dele existe uma película chamada pleura, que às vezes infecciona. "Inflamada, ela produz um líquido. O acúmulo dessa substância é chamado de derrame pleural. Por causa da gravidade, o líquido desce e se manifesta em dor abdominal", esclarece o cirurgião Jovelino Leão. Já a asma e a bronquite causam incômodo pela força que a criança faz para respirar. "É necessário um esforço muscular muito grande na parede abdominal para ajudá-la a enfrentar a falta de ar. A criança sente dor por causa da fadiga do músculo".
Amidalites também atingem o abdômen?
Sim. "As amídalas são formadas por um tecido linfóide que também existe no abdômen. Com uma infecção na garganta, esse tecido se prolifera, aumenta de tamanho e causa dor", explica a médica Maraci Rodrigues.
E a hepatite?
Trata-se de uma doença infecciosa causada por vírus que atinge o fígado - a maior glândula do organismo localizada dentro do abdômen. A dilatação da película que o envolve pode provocar a dor abdominal. "A criança se queixa porque o fígado cresce, fica inflamado e sensível", explica o cirurgião pediatra Jovelino Leão.
A dor abdominal em meninas estaria associada à menarca (primeira menstruação)?
Sim. A dor está relacionada com a ovulação e tensão pré-menstrual. O desconforto acontece fundamentalmente pela contração do útero. "Ele se contrai à medida que sua camada interna cresce. É uma reação natural do organismo", diz o ginecologista Eduardo Lene da Motta (SP), da Unifesp. "A progesterona, hormônio feminino da ovulação, libera uma substância que provoca a contração muscular e conseqüentemente a dor", completa.
Especialistas recomendam evitar a medicação antes de uma avaliação médica precisa. Afinal, o remédio às vezes disfarça os sintomas de uma doença mais séria
A reação dolorosa pode ainda ter como causa o estresse?
Sim. Excluída uma razão orgânica, deve-se investigar a origem psicológica para o problema, considerando como é o cotidiano da meninada. De acordo com o gastropediatra Mauro de Morais, da Unifesp, essa é uma dor de curta duração, situada em geral na proximidade do umbigo e acompanhada de palidez, sudorese e eventualmente náuseas. "Crianças precisam de rotina. Mudanças repentinas geram ansiedade. Algumas têm vida de executivo, com uma agenda tão cheia, regras e horários rígidos, que impedem que elas relaxem. Se a consulta médica não indicar o problema orgânico, é sugerida a avaliação psicológica", alerta a psicóloga Fernanda Alves da Cruz Gouveia (SP), do Hospital São Luiz. Um trabalho de orientação dos pais muitas vezes é suficiente para o tratamento.
A intensidade da dor está relacionada à gravidade da doença?
Não. A diarréia não é considerada uma enfermidade grave, no entanto provoca forte dor abdominal. Por outro lado, no câncer no intestino a dor é branda. Pais ou responsáveis devem estabelecer quais são os fatores desencadeantes da dor abdominal. "É recomendado pesquisar se existe relação com a alimentação e anotar como a dor se manifesta, desde sua duração, periodicidade e intensidade", diz o pediatra Marco Aurélio Sáfadi.


Imagem: Google
Pesquisa:  http://revistavivasaude.uol.com.br/Edicoes/11/artigo5896-1.asp





1 comentários:

***Anjos****

Só sei dizer que, a casa toda sofre, quando uma criança principalmente, sofre de cólica, é chato demais!! Lembro que perdi várias noites!!

Sigma.

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